Gisele – A Embaixadora dos Estados Unidos

Por Renato Pereira (*): A supermodelo Gisele Bündchen é, de longe, uma das maiores difamadoras do Brasil no exterior. Incorporando tacitamente o lobby americano farms here, forests there (fazendas aqui, florestas lá), não se cansa de posar para a mídia mundial criticando e condenando o País na condução de sua política ambiental. Com essa atitude ela consegue duas coisas ao mesmo tempo: passar por boa moça preocupada com a preservação do planeta, o que lhe aumenta a fama e os ganhos; e agradar o país onde mora, este preocupadíssimo com a preservação das florestas de seu principal concorrente na produção e exportação de produtos agropecuários.

Entendo, embora condene, a atitude da brasileira/americana, (ou seria americana/brasileira?) que detona suas origens por interesse próprio e para se promover nos meios “inteligentes” do mundo.  Aceito também, sem ingênuas lamentações, a atitude dos Estados Unidos que, através de duvidosas ONGs , tentam evitar a substituição de nossas “sagradas” matas por lavouras produtivas. Afinal o capitalismo é bruto mesmo e “quem não aguenta, bebe leite”.

Quedo-me, entretanto, pasmo, com a adesão em massa da mídia brasileira, dos artistas, dos intelectuais rasteiros e do pessoal de esquerda aos pronunciamentos da modelo, como se ela entendesse alguma coisa deste assunto. É bom não esquecer que a última grande contribuição dela nessa área foi aconselhar as pessoas a fazer xixi no chuveiro, para economizar água no vaso sanitário. Pior que isso só tinha visto aquela história do mineiro pão-duro que toda manhã perguntava à família: Pedro já fez?  E Maria também? Joãozinho? E o Saulo. Quando todos confirmavam o “serviço” ele puxava a descarga do vaso.

Não sei por que dão tanta importância a uma figura da moda, que sendo o máximo no seu ambiente, não sabe absolutamente nada de florestas, lavouras, produção de grãos e concorrência internacional. Faz Lembrar a passagem em que Apeles, o célebre pintor de Florença, ouviu de um sapateiro a observação pertinente sobre o erro que cometera ao pintar as sandálias do personagem.  Animado o sapateiro, assim que o artista corrigiu o engano, quis fazer mais observações, desta vez equivocadas, sobre outros detalhes da obra. “Não vá o sapateiro além das sandálias”, advertiu-o o artista.

 Não vá, pois, a célebre modelo, além da moda e das passarelas, assuntos que domina para se meter em coisas que não conhece. Fique com o oportunista missão de Embaixadora dos Estados Unidos para assuntos climáticos, ignorando por conveniência, que o país escolhido para viver já desmatou 77% do seu território, transformando-se no maior produtor e exportador de grãos do mundo. 

Agora irmanados – País e imigrante famosa- em perfeita simbiose, querem impedir que o Brasil use um pouco mais de suas próprias terras para concorrer com eles.  Será que ela desconhece que o Brasil, constante vítima de suas críticas, desmatou somente 34% do imenso território – menos da metade do que derrubaram quase todos os países do mundo, entre eles a adorada North America?

Ingênuos são os brasileiros, que orgulhosamente invertem o ditado americano, para dizer a mesma coisa: forests here, farms there (florestas aqui, fazendas lá). Yes, we have forests, lots of forests! (sim, nós temos florestas, um monte delas!).

Candidamente exibimos nossas intocadas matas, garantindo que somos muito espertos por mantê-las em pé.  Bobos são os americanos que trocaram a maior parte de suas “forests” por produtivas “farms”, que rendem bilhões de dólares a cada ano.

Renato de Paiva Pereira – empresário e escritor em Cuiabá (MT). [email protected]

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