Fotos de lavoura: dica jurídica para o produtor rural

Saiba tirar fotos de lavoura que servem de prova no seguro e na dívida: enquadramento certo, data, GPS e arquivo original preservado.

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Celular de produtor rural até parece livro de botânica: a galeria contém fotos e mais fotos de lavouras, nos mais diferentes estágios. O que quase ninguém percebe é que essa galeria pode valer muito.

Imagine que a seca assolou a lavoura em janeiro e você fotografou tudo ao longo dos dias e semanas. Seis meses depois, chega a negativa da seguradora dizendo que o dano decorreu de manejo inadequado. O que sobra, nessa hora, é o que você registrou enquanto o prejuízo ocorria.

Aí vem a pergunta que nos chega com frequência: essas fotos (ou vídeos) provam alguma coisa? Provam. Mas provam mais, ou menos, conforme o cuidado de quem as tirou.

A foto e o vídeo da lavoura servem como prova

Em uma ação de seguro, de Proagro, em ações de indenizações por sementes ineficientes ou na discussão da dívida com o banco, a foto/vídeo vale como registro do que aconteceu na sua lavoura.

Convém registrar, contudo, que a foto ou o vídeo sozinhos raramente resolvem. Eles mostram uma planta ou uma lavoura, num ponto, num instante. Não mostram quantos hectares foram atingidos, nem quanto você deixou de colher. O que ela faz, e faz bem, é confirmar e demonstrar o que o laudo do agrônomo afirma.

A premissa é: a foto não substitui o laudo. E o laudo com foto é muito mais eficiente.

Como tirar as fotos e o que a imagem precisa mostrar

A foto/vídeo que servem como prova é diferente da foto bonita. Elas precisam permitir que alguém de fora, meses depois, entenda o que estava acontecendo ali:

  • Fotografe e filme os danos antes de qualquer decisão de manejo: a alteração da lavoura compromete a prova do dano.
  • Planta inteira, não só o solo: raiz, haste, vagem, espiga, folha, terra seca em close nada diz sobre o estádio da cultura.
  • Referência de escala: uma trena, uma régua, a própria mão, sem objeto de tamanho conhecido, não é possível dimensionar o dano na imagem.
  • Panorâmica e detalhe, sempre em par: uma foto aberta do talhão e outra fechada, na planta.
  • Fotografe os mesmos pontos: escolha pontos amostrais e volte a eles, é isso que transforma fotos soltas em sequência de evolução.
  • Sequência de datas: plantio, o dia do evento, os dias seguintes, a colheita.
  • O contraste, quando houver: se parte do talhão ou da lavoura não foi atingida, fotografe também. É o argumento mais eficaz contra a alegação de manejo inadequado, a justificativa muito usada nas negativas de indenização.

Importante: registre também o que comprova o bom manejo, como a aplicação dos insumos e o estande de plantas após a emergência. Já tratamos desse cuidado nas dicas para a vistoria de seguro rural.

Georreferenciamento e data: por que isso é importante?

Aqui está o que separa a foto que ajuda da foto que quase não serve.

Toda foto de celular carrega, dentro do arquivo, uma ficha técnica invisível: data, hora, modelo do aparelho e, se a localização estiver ligada, as coordenadas de onde a foto foi tirada. Você não vê nada disso na tela, mas quem for analisar a imagem depois consegue ver.

Existem, ainda, aplicativos de câmera que estampam na própria foto a data, a hora e as coordenadas.

Foto de lavoura com data, hora e coordenadas estampadas pelo aplicativo de timestamp

O ideal é ter as duas coisas: o carimbo visível, que qualquer um entende de bate-pronto, e a ficha invisível, que confirma tecnicamente que aquela foto é daquele dia e daquele lugar.

Quatro cuidados fazem a diferença:

  1. Ligue a localização da câmera e deixe ligada a safra toda. Sem isso, não fica gravada nenhuma coordenada.
  2. Confira a data e a hora do aparelho.
  3. Não mexa na imagem: recortar, girar ou aplicar filtro reescreve o arquivo e pode apagar aquela ficha invisível. Se precisar destacar algo, faça numa cópia e guarde a original intacta.
  4. Guarde a foto original e faça backup do celular: foto mandada por aplicativo de mensagem é encolhida no caminho e chega do outro lado sem a ficha técnica. Se o celular quebrar ou sumir, a prova vai junto, por isso tente sempre ter o backup nas nuvens, seja no Dropbox, Google Drive, Onedrive, etc.

Nada disso torna a fotografia impossível de contestar, mas a foto com data e coordenada preservadas, coerente com os dados da lavoura forma um conjunto muito difícil de derrubar.

Quando as fotos não bastam e o que mais reunir

As fotos respondem à pergunta “o que aconteceu”. Não respondem à pergunta “quanto eu perdi”, e é sobre a segunda que se discute dinheiro. Por isso a documentação precisa incluir laudo do agrônomo, comunicação do sinistro e vistoria, comprovação do que se colheu, dentre outras.

O passo a passo completo de como reunir tudo isso está no nosso guia sobre como comprovar perdas de safra.

O registro de hoje é o direito de amanhã

Fica a dica do Portal Direito Rural: fotos e vídeos da evolução da lavoura, com o geolocalizador ligado, originais preservados e organizados por talhão e data. Pouco esforço para muita segurança.

Tobias Marini de Salles Luz – advogado especialista em agronegócio, sócio-fundador da banca LCB Advogados. Contato:

📞 WhatsApp: (44) 9 9158-2437

📧 E-mail: tobias@direitorural.com.br

📱 Instagram: @tobiasluzadv

Perguntas frequentes

Foto ou vídeo de celular vale como prova em processo judicial?

Sim, as mídias digitais são aceitas como documento e são muito importantes no processo judicial. Guarde sempre o arquivo original, com a data e a coordenada gravadas.

Preciso de aplicativo pago para georreferenciar as fotos?

Não, basta deixar ligada a localização da câmera do celular, que as coordenadas já ficam gravadas nos metadados da imagem. Os aplicativos que estampam data, hora e coordenadas na imagem ajudam (e muito), mas não são obrigatórios.

Só tenho as fotos que estão no WhatsApp. Ainda serve?

Serve, com força menor, porque o aplicativo encolhe a imagem e apaga a ficha técnica. Ainda assim, é possível reforçar a prova com o laudo do agrônomo e demais documentos. Importante: não apague a conversa, a data da mensagem também ajuda a comprovar a data do evento.

Posso editar a foto para marcar o dano com uma seta?

Pode, desde que numa cópia. Guarde a original intacta e use a marcada só para explicar.

Preciso de testemunha na hora de fotografar?

Não é obrigatório, mas ajuda, principalmente se o agrônomo ou o técnico da cooperativa também deixar algo por escrito e datado.

Posso só fazer vídeos?

Pode, mas é melhor sempre ter fotos junto. O vídeo consegue contextualizar a imagem de forma mais ampla, até com alguma explicação do produtor. Porém a foto é a mídia visual, que vai para a petição do processo, que o juiz bate o olho e vê.

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