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Você critica quem te sustenta? O agro “vilão”

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Você certamente já ouviu, ou até mesmo disse “cada um colhe o que planta”. Esse famoso ditado popular certamente se aplica a várias áreas da vida, figurativamente.

Mas você já ouviu dizer “quem não planta não come”?

O agronegócio, já há algum tempo (se não desde seu surgimento como setor relevante para o crescimento do país) tem sido alvo constante e intenso de ataques de todos os tipos; da mídia, de certas autoridades, de organismos internacionais, etc.

O setor, que, sozinho, foi responsável por quase 25% do PIB do país[1] e empregou mais de 19 milhões de pessoas[2] em 2022, inacreditavelmente, é visto como o grande vilão do Brasil.

Ora, se aquele que é visto como grande vilão salvou o país de uma recessão ainda maior durante a Pandemia de Covid-19, fechando o ano de 2020 com recorde de PIB[3], é preciso repensar nossa visão sobre o setor.

Eu imagino que os críticos ferrenhos do setor que alimenta o Brasil e o mundo[4] devem conhecer de perto a realidade da produção e produtividade do Brasil, bem como a apertada legislação que a regulamenta. Ou será que eles apenas reproduzem sua indignação de que “o agro desmata” “o agro queima” “o agro está acabando com a biodiversidade” enquanto se reúnem para comer um bom churrasco?

E não estou aqui fazendo menção apenas à carne vermelha, que daria passe livre aos veganos para criticar o setor. Será que eles não comem aquela saladinha de tomate com cebola? Maionese de batata, feita com óleo de soja?

A verdade é que ninguém escapa de se beneficiar do Agronegócio. Direta ou indiretamente, somos todos atingidos de maneira positiva por ele; por termos comida à mesa, por ter um único setor que gera quase um quarto do PIB do 5° maior país do mundo em território, inclusive em tempos de recessão, bem como pela dependência causada nos países compradores de nossas commodities. Já parou para pensar na autonomia que isso dá a uma nação? Ter nas mãos, com abundância e qualidade, produto tão procurado por outros países? E o quanto isso deve – e de fato o faz – incomodar as grandes potências econômicas do mundo?

Pois é. Precisamos desconstruir a ideia errada e até mesmo preconceituosa – já que a maioria não conhece a realidade do setor, formando assim um pré conceito negativo e tendencioso daquilo que lhe é apresentado, que não reflete a realidade, ao menos em sua maioria – de que o Agronegócio é maléfico, e vê-lo com gratidão.

Se não fosse pelos produtores rurais, sejam eles pequenos, médios, grandes ou muito grandes, a verdade é que não poderíamos nos reunir à mesa com alegria, não teríamos a possibilidade de crescimento cada vez maior do País, não teríamos a certeza do alimento diário, tampouco incomodaríamos as grandes potências. Como disse Earl L. Buntz[5] “food is power”, pois sem comida, nenhum outro direito pode ser garantido, nem mesmo a própria vida. Como bem esclareceu Dr. Lutero Pereira[6], a alimentação deve ser vista como o proto-direito, ou seja, o primeiro de todos os direitos, pois sem ela, nenhum outro pode ser assegurado. E somente o agronegócio pode garanti-la.

Atacar um setor inteiro, quando sua grande maioria é formada de produtores que arduamente trabalham, pasmem, não só em benefício próprio, mas especialmente da população, incluindo aquela que tanto o ataca, não parece certo e nem mesmo justo. 

Em vez de ficarmos acirrando a briga interna e externamente, como recentemente fez o Presidente da APEX[7], ao criticar o agronegócio brasileiro na China, nosso maior mercado[8], devemos passar a admirar e bem falar do setor. Afinal de contas, quem não planta, não come, já que o alimento vem, inevitavelmente, da terra; da terra que se cultiva.

Se você é um crítico ferrenho do agronegócio, te convido a conhecer de perto a realidade do setor. Vá a uma fazenda, veja o dia a dia daquele que trabalha para que nós tenhamos alimento, acordando cedo, perdendo noites de sono por intempérie climáticas, preocupando-se com o mercado interno e externo, receoso em como escoará a produção, em vista da precariedade de nossas rodovias. Conheça a forma de trabalho, a rotina dos funcionários, o estilo de vida e veja se os envolvidos diretos na área têm a mesma visão que você sobre o setor.

Se você não depende do agro para viver, chame-o de vilão. Mas, se reconhece que sem ele não consegue existir, chame-o de herói.

[1] https://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

[2] https://www.cepea.esalq.usp.br/br/releases/mercado-de-trabalho-cepea-trabalhadores-atuando-no-agro-seguem-crescendo-e-ja-superam-numero-pre-pandemia.aspx

[3] https://www.cnabrasil.org.br/noticias/pib-do-agronegocio-tem-crescimento-recorde-de-24-31-em-2020

[4] https://uaiagro.com.br/embrapa-diz-que-agro-brasileiro-alimenta-o-mundo/

[5] Secretário da Agricultura dos Estados Unidos. Frase registrada por Albertos Passos Guimarães em sua obra “A crise agrária – São Paulo: Paz e Terra, 1979, p. 208”.

[6] PEREIRA, Lutero de Paiva. Alimentação: o protodireito social/Lutero de Paiva Pereira – Curitiba: Íthala, 2022.

[7] https://revistaoeste.com/politica/presidente-da-apex-critica-agronegocio-brasileiro-na-china/

[8] https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias-2022/brasil-exporta-us-14-8-bilhoes-em-produtos-do-agronegocio-em-agosto#:~:text=Pa%C3%ADses%20importadores,em%20agosto%20do%20ano%20passado.

Rachel Vieira Pereira – advogada (OAB/PR 96.285) na Lutero Pereira & Bornelli – advogados associados.

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