Vazio sanitário da soja passa a ser de 137 dias em Mato Grosso

O vazio sanitário da soja em Mato Grosso a partir da safra 2015/2016 passará a ser de 137 dias, vigorando de 1º de maio a 15 de setembro. (Acesse a instrução normativa).A ampliação visa à prevenção e o controle da ferrugem asiática no Estado, que na safra 2014/2015 já conta com seis casos confirmados em plantas guaxas. Para o setor produtivo a medida é ineficiente e o ideal seria o encurtamento da janela de plantio.

O aumento do período do vazio sanitário consta na Instrução Normativa Conjunta nº 007/2014, assinada pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e pela Secretaria de Agricultura do Estado (Sedraf-MT) em 17 de outubro, porém publicado no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso que circula nesta quarta-feira (22).

O vazio sanitário em Mato Grosso tinha vigência de 90 dias, indo de 15 de junho a 15 de setembro. Ele consiste na proibição da existência de plantas de soja e resquícios de plantação e grãos em lavouras, áreas urbanas e proximidades de armazéns e silos, independentemente se a planta foi plantada ou nasceu involuntariamente.

De acordo com o coordenador de Defesa Sanitária Vegetal do Indea-MT, Ronaldo Medeiros, as regras seguem as mesmas para o período do vazio sanitário, a única diferença é a ampliação de 90 para 138 dias. “A portaria conjunta vem de encontro a um pedido da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV), do Ministério da Agricultura, em detrimento a ampliação dos casos de ferrugem asiática no Estado”.

O coordenador de Defesa Sanitária Vegetal do Indea-MT explica que a decisão de iniciar em 1º de maio partiu de estudos que apontaram que a data é um “equilíbrio”, visto o plantio na região Nordeste do Estado, mais precisamente a região do Araguaia, iniciar a semeadura da soja quase um mês mais tarde em relação as demais regiões produtoras, o que faz o seu plantio encerrar mais tarde.

Em agosto a Comissão de Defesa Vegetal de Mato Grosso realizou uma reunião com representantes do setor produtivo e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), entre outros órgãos de defesa do Estado, e solicitou que fosse ampliado para 150 dias o período do vazio sanitário em Mato Grosso, vigorando de 15 de abril a 15 de setembro.

Na ocasião da reunião em agosto o coordenador da comissão e fiscal do Mapa, Wanderlei Dias Guerra, declarou que hoje se vive no limite da eficiência dos fungicidas contra a ferrugem. “Os fungicidas perderam nesta safra ainda mais a sua eficiência. Isso é natural ocorrer, mas o que agrava ainda mais a situação é que não há novas tecnologias de resistência à ferrugem. Além disso, não podemos arriscar ainda mais a safra principal por conta da safrinha da soja”, pontuou Wanderlei Dias Guerra ao Agro Olhar na época.

Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), segundo o presidente da entidade Ricardo Tomczyk, o setor não foi “ouvido adequadamente”. “Na nossa opinião deveria ser de 15 de junho a 30 de setembro, pois teríamos uma início de colheita alinhado e assim se evitaria que as primeiras lavouras gerassem, na hora da colheita, a proliferação da ferrugem asiática”.

Conforme Ricardo Tomczyk, essa medida inviabiliza a soja safrinha que acaba sendo o regulador de produção de sementes “salvas”.

Fonte: Olhar Direto

Confira aqui a Instrução Normativa conjunta do Indea-MT e Sedraf-MT nº 007/2014

15387617

Compartilhe

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *