Renuka pede recuperação judicial para suas quatro usinas brasileiras

Novacana: A Shree Renuka do Brasil Participações, subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, apresentou nesta segunda-feira (28) o pedido de recuperação judicial para suas quatro usinas, duas localizadas em São Paulo e duas no Paraná.A demanda foi protocolada na 1ª Vara Cível da cidade de São Paulo para proteger a companhia de credores que tem movido várias ações judiciais de execução de bens. Um exemplo da ofensiva foi a solicitação de arresto de açúcar, etanol e dos canaviais feita pelos bancos Bradesco e Itaú para garantir o pagamento de R$ 40 milhões em empréstimo já vencidos.

À Bloomberg, o diretor jurídico no Renuka no Brasil, Tony Rivera, informou que a dívida total da empresa no Brasil está em R$ 3,3 bilhões (cerca de US$ 803 milhões), tendo ainda entre os principais credores o Banco do Brasil, Santander e Votorantim.

Se o pedido for aceito, a empresa terá 180 dias para apresentar um plano de pagamento da dívida e os processos de cobrança ficarão suspensos durante o período.

Há pelo menos um ano, a companhia negociava com os bancos uma solução para o endividamento, mas a forte desvalorização do real frente ao dólar elevou a dívida em cerca de 50% e comprometeu um acordo, segundo apurou o jornal Valor Econômico. Com isso, os bancos desistiram de negociar e iniciaram a ofensiva judicial.

A capacidade de moagem das quatro unidades brasileiras soma 14 milhões de toneladas por safra. Na temporada 2014/15, encerrada em março, somente as unidades paulistas, controladas através da Renuka do Brasil, registraram um prejuízo de R$ 748 milhões, o quinto consecutivo.

A Shree Renuka “acredita que a reorganização sob recuperação judicial é a melhor maneira de reorganizar, proteger nossas subsidiárias brasileiras e fornecer um caminho para o nosso eventual reviravolta no Brasil”, disse a empresa em resposta à Bloomberg.

A controladora indiana atribuiu a situação “insustentável” a fatores como a ocorrência de seca e geada em seus canaviais brasileiros, o teto para os preços do etanol no mercado interno, os baixos preços globais do açúcar e o impacto do enfraquecimento da moeda brasileira sobre a dívida.

Segundo o diretor jurídico, a empresa tem dinheiro suficiente para manter suas operações durante esta safra e ainda considera viável a reestruturação da companhia, com a eventual entrada de um novo investidor. A vinda de um sócio estratégico chegou a ser discutida, tendo entre os interessados a gestora canadense Brookfield Asset Management, mas nenhum acordo foi finalizado.

Com capital aberto na bolsa de Mumbai, nesta terça-feira (29), as ações da indiana Shree Renuka caíram 5,2%, para 7,30 rúpias, antes de negociadas a 7,55 rúpias. O movimento agrava a queda já observada neste ano, quando as ações caíram 50%.

Fonte: novaCana.com
com informações da Bloomberg e Valor Econômico

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