Goiás vai cobrar imposto sobre exportações de soja e milho

Notícia que circula na mídia diz que o estado de Goiás passará a cobrar impostos sobre exportações de soja e milho. A previsão para cobrança veio pelo Decreto n. 8.548 de 29 de janeiro de 2016, que autorizou a incidência de ICMS nas operações de exportação dessas duas commodities. Na prática, resultará em um menor preço pago ao produtor rural.

soja e dinheirO que chama a atenção nessa notícia é que ela vem logo após o festejado anúncio do presidente argentino, Carlos Macri, de que iria remover a taxação na exportação de produtos agropecuários daquele país, medida esta imposta pelo governo desastroso de Christina Kirchner e considerada um dos motivos da quebra do setor produtivo daquele país.

Será que não podemos aprender com o erro dos outros? Bem, parece que, para alguns, o que importa é apenas o aumento da arrecadação no curto prazo.

 

Veja notícia publicada no site da Agrolink:

As famigeradas “retenciones” chegaram ao Brasil: Depois de quase quebrar o agronegócio na Argentina, os impostos sobre exportações de soja e milho serão agora cobrados no estado de Goiás. A manobra burocrática veio através de decreto estadual alterando o Código Tributário no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas operações de processamento e comercialização de soja e milho. Segundo o decreto nº 8.548, de 29 de janeiro de 2016, foi criada a “Autorização para Apuração Englobada do ICMS, que será concedida para a realização de operações de tal forma que a proporção entre a quantidade de soja ou milho objeto de operação tributada e a quantidade desses produtos de operação isenta atinja percentual a ser definido pela Secretária da Fazenda (Sefaz) em cada exercício”.

As alterações criam um sistema diferenciado de cobrança do ICMS, principalmente nas operações de exportação. Na prática, as empresas comercializadoras terão mais custos e haverá desequilíbrio no livre mercado da soja e do milho, o que prejudicará a competitividade dessas commodities em Goiás.

A tributação estadual pode desestimular as atividades das tradings exportadoras, que são importantes no financiamento da safra ao fornecer crédito em troca de grãos. Essas empresas têm forte atuação nas áreas de expansão agrícola, onde o crédito oficial é restrito e há poucas agroindústrias. “Se as tradings buscarem melhores condições de compras de grãos em outros Estados e reduzirem sua participação aqui, isso inviabiliza o avanço da produção agrícola e prejudica a economia goiana”, lamenta o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Bartolomeu Braz Pereira.

De certa forma, o tributo sobre as exportações de soja e milho também cria uma reserva de mercado para as indústrias locais: “Neste cenário é provável que haja a prática de preços menores ao produtor, já que na formação desses preços teremos a incidência de mais um custo, em especial aos exportadores”, explica o consultor técnico da Aprosoja-GO, Cristiano Palavro.  Entidades representativas do setor vão propor ações coletivas para barrar o que consideram uma infração à Lei Kandir. Criada em 1996, essa legislação fomentou o desenvolvimento da agricultura no Brasil ao isentar de impostos as exportações de grãos e outros produtos. “Depois da Lei Kandir foi imensurável o crescimento do agronegócio. E agora o governo de Goiás está fomentando a política do atraso, criando uma espécie de ‘retenciones’, como Cristina Kirchner fez na Argentina”, ressalta o presidente da Aprosoja-GO.  Segundo a alteração feita na legislação, esse percentual poderá ser alterado de acordo com circunstâncias econômicas do mercado interno ou externo dos dois produtos. A tributação provocou indignação no setor produtivo do estado, que reclama de descaso do governo estadual na prestação de serviços. “Temos rodovias em péssimo estado para o tráfego e escoamento da safra, insegurança na zona rural e infraestrutura elétrica completamente deficitária. Tudo isso trava o setor agropecuário, tirando nossa competitividade”, afirma Bartolomeu Pereira, que também é vice-presidente institucional da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

Fonte: Agrolink

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