Floresta é a solução pra tudo

Madeira, energia, sequestro de carbono, meio-ambiente valorizado, dela pode vir tudo. Por Daniel De Paula* (Rural Centro).

A luz no fim do nosso túnel pode ser a primeira árvore do nosso bosque. Seja para a tão ameaçada energia como para o dinheiro que a madeira pode gerar, é na floresta que está boa parte das soluções que precisamos para valorizar a terra, produzir de forma sustentável e ainda contribuir sobremaneira com o meio-ambiente. E campo não nos falta. A carência ainda é de enxergar essas aptidões e trabalhar política e estruturalmente para pavimentar esse caminho que podemos percorrer com a competência que o Brasil tem para gerar riquezas no agronegócio. E floresta é agronegócio.

Tem muita gente que já vislumbra isso, mas algumas esferas de governo, principalmente a federal, não conseguem largar alguns escândalos para cuidar de suas galinhas dos ovos de ouro, no caso aqui de sua galinha das madeiras de ouro. São poucas, mas algumas empresas especializadas já enxergaram essa necessidade e agora passam a mostrar alternativas em encontros como o que participei dia desses em Campo Grande/MS, o Programa Mais Floresta – Biomassa e Madeira Nobre, idealizado pelo Senar e organizado pela Painel Florestal, do amigo Paulo Cardoso.

De todas as palestras e apresentações práticas no campo, na sede da Embrapa Gado de Corte, brotou a possibilidade de multiplicar a área de floresta plantada no Brasil dos atuais 7,6 milhões de hectares para 16 milhões nos próximos anos. Faz parte, inclusive, de uma meta estabelecida em um dos projetos da Secretaria de Assuntos Estratégicos e do Ministério das Minas e Energia. Mas, como quase tudo – saúde, educação, segurança e fim da corrupção – neste governo não sai do papel, ainda é um projeto o aproveitamento de 15 milhões de hectares de área degradada que poderiam ser preenchidos com floresta plantada.

Nem cabe aqui – mas o assunto voltará a ser manchete da Enfoque em várias ocasiões – discriminar que madeiras são mais indicadas, que mercado pode ser mais explorado, porque tem muita vertente para o segmento e todos com altíssimo potencial de ganhos de toda natureza. Pode ser o mercado de US$ 270 bilhões de madeira nobre do qual o Brasil é o terceiro maior produtor mundial (atrás de Indonésia e Malásia!), com programação para mais que dobrar esse montante até 2030. Pode ser o bambu, isso mesmo, o bambu, que, só na China, movimenta um mercado superior a US$ 30 bilhões e pode ser alternativa para uma série de mercados, como o de produção de fibra para fabricação de pás que movem aerogeradores da energia eólica. Pode ser o eucalipto, nossa maior floresta, que fornece matéria-prima para a gigantesca indústria de celulose, em que o Brasil compete com vantagem no mercado mundial – inclusive em relação à Índia.

Por falar em Brasil, por mais que o produtor de madeira dura, aquela mais valorizada (mogno, teca, ipê, etc.), assuma que o ideal é usar a terra para intensificar o seu manejo para agregar valor ao produto final, ainda se verifica a cada dia o crescimento do interesse do produtor em integrar sua lavoura e/ou pasto às florestas. Misturar pau, carne e grão.

Manejo correto, arranjo espacial bem programado e definição de suas prioridades dentro da fazenda, pode – e deve – fazer o produtor ganhar de todo jeito, de toda fonte. Se o seu negócio é carne, vai embutir qualidade nela consorciando, inteligentemente, com uma boa assessoria, os renques de sua floresta com forrageira ou lavoura no seu espaço e garantir renda – boa renda – extra. Se o negócio for madeira, pode garantir no sub-bosque, como um bom pasto alternado com outras culturas, outra fonte de renda que preencha a cesta de negócios de sua propriedade.

E tem gente que já admite consórcio de florestas, para atender uma demanda que é crescente no Brasil e no mundo. Os gringos têm grande interesse nas nossas florestas e na nossa terra para produção de mais florestas. Só esbarram em legislação limitadora – que nem cabe aqui aprofundamento – e investem no que pode ser aprontado para eles. Vêm buscar aqui a madeira que o Brasil pode produzir. E pagam bem por ela.

Além de tudo isso, dois fatores que sacramentam a vantagem de se começar a pensar em reflorestar. Uma área de integração da floresta com pecuária pode fazer com que a primeira, independente da lotação de um segmento ou de outro, ajude no sequestro de carbono, componente tão prejudicial e combatido no mundo por causa da camada de gases do efeito estufa. E um dos mais importantes: qualquer floresta plantada pode ser averbada com reserva legal – apesar de muita jurisprudência.

Quer mais vantagem? Com poucas citadas aqui dentre as tantas que os especialistas podem descortinar para qualquer tamanho de produtor ainda tem a perspectiva de que esse mercado crescente e um bom planejamento para aproveitamento da demanda ainda faça com que ninguém mais precise desmatar, já que a tendência constatada no Mais Floresta é de que entre 5 e 10 anos acabe a extração irregular de madeira nativa das nossas florestas.

(*) Daniel De Paula é publicitário e jornalista desde 1989. Trabalhou em impressos, rádios e televisão a partir de São Paulo, onde foi criado e onde se formou, com destaque para oito anos como comentarista dos canais Sportv/TV Globo até 2004. Hoje é repórter do Canal do Boi, canal integrante do SBA (Sistema Brasileiro do Agronegócio).

Fonte: Rural Centro / Daniel de Paula.

Floresta de eucalipto

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