Empregos, o passado e o futuro

150 anos da história de empregos nos Estados Unidos

150 anos da história dos empregos nos Estados Unidos

O gráfico acima foi elaborado pelo The Visual Capitalist e utiliza dados do Instituto Global McKinsey para traçar a trajetória dos empregos por setor nos Estados Unidos, desde a década de 1850 até 2015.

Abaixo, um resumo dos dados por setor: [1]

SetorMudança nas taxas de emprego, 1850 – 2015 (pontos percentuais)
Comércio (varejo e atacado)+12.8
Educação+9.9
Saúde+9.3
Serviços de reparos e negócios+6.1
Serviços financeiros+5.9
Serviços profissionais+5.0
Governo+4.9
Entretenimento+2.2
Utilidades+0.8
Telecomunicação+0.7

Construção

+0.3
Transportes+0.2
Mineração-1.3
Manufatura-3.6
Agricultura-55.9

Para onde irão os empregos do hoje?

Como seres humanos que somos, nos sentimos constantemente compelidos a traçar planos, nos preparar e tentar prever como poderá ser o futuro. E é bom que seja assim, afinal, aquele que vive despreparado está sujeito a passar apertos dos mais diversos.

Quando se tratando de nossos empregos, ou seja, nossa fonte de sustento, mais fortemente ainda se percebe esta tendência. Somos levados a tentar nos preparar para possíveis mudanças estruturais que possam alterar as bases da economia e favorecer ou desfavorecer determinado setor. Passamos meses, ou até mesmo anos, decidindo se devemos permanecer no emprego atual ou tentar uma carreira em algum outro setor mais promissor. Aliás, não são raros os casos de indivíduos que, sentindo que a oferta de empregos em sua área de atuação estava encolhendo demasiadamente, optaram por fazer mudanças drásticas em seu ramo de atuação, indo, literalmente, do óleo (setor petrolífero) ao escritório (setor financeiro).

Porém, fazendo uma retrospectiva histórica, vemos que o destino de nossos empregos é, na maior parte das vezes, e por mais que se estude a conjuntura econômica do momento e se trace previsões, incerto. Quem poderia imaginar que o setor responsável por cerca de 58% dos empregos na década de 1850, setor o qual estava em acelerada expansão, reduziria sua necessidade por mão de obra de forma tão abrupta que, 100 anos depois, passaria a ser responsável por apenas 13% destes? Aliás, um setor que continua crescendo em ritmo acelerado desde então, mas que segue perdendo mais e mais espaço na oferta de empregos.

Pode-se argumentar que tal mudança se deu devido às novas descobertas, à mecanização do processo e, nos tempos atuais, à robotização do setor agrícola, o que é fato, mas estes avanços, principalmente no setor agrícola, eram impensáveis para um povo que tinha acabado de viver a primeira revolução industrial. Além disso, se nos atentarmos para o peso da setor agrícola no PIB mundial e para a movimentação massiva de capitais e investimentos, este é o setor que mais deveria oferecer empregos.

A questão é que, com o advento das novas criações tecnológicas e científicas, como o maquinário agrícola, os aprimoramentos técnicos no plantio e a informatização das lavouras, possibilitando maior controle e monitoramento destas, diminui-se a necessidade por empregados. Hoje, um homem em uma plantadeira faz o trabalho de dezenas de homens do passado.

E a história não para por aí, hoje a implantação de Inteligência Artificial (IA) já é uma realidade, inclusive no meio agrário e no meio jurídico. Os impactos de tal tecnologia não têm precedentes, pois como podemos prever qual o limite desta ferramenta e quais setores poderão ser alcançados por ela? Assim como a agricultura foi afetada pela mecanização, inúmeros setores sofrerão o impacto da IA, para bem ou para mal.

E este é o ponto a que queremos chegar: por mais que nos esforcemos em prever quais rumos as novas tecnologias irão tomar, quem pode saber quais descobertas nos aguardam no virar do dia?

De onde virão os empregos do amanhã?

A boa notícia, entretanto, por mais caótico que possa parecer o cenário de empregos no futuro, é que o que se perdeu em um setor foi suprido por outro. Atividades que pareciam ter desaparecido, na realidade se transformaram em outras e o espaço antes ocupado por um setor foi preenchido por um ou mais setores. Tal fenômeno fica claro no gráfico supra, visto que, enquanto o setor agrícola encolhia, o setor manufatureiro, comercial e de educação, um depois do outro, se expandiam e requisitavam mais e mais mão de obra.

Além disso, o setor agrícola continua a criar muitos empregos, a diferença é que, nos tempos atuais, os empregos se dão de maneira indireta. A demanda anterior, e a qual o gráfico se refere, diz respeito ao trabalho manual e direto no campo. Porém, com o advento do êxodo rural, da informatização e dos avanços científicos no campo, a demanda por trabalho manual cedeu lugar para trabalhos mais técnicos e científicos, como na área laboratorial – melhorias em sementes transgênicas e insumos, mecânica – desenvolvimento e manutenção do maquinário – e financeira – negociação da produção, negociação de CPRs e CRs, por exemplo.

Portanto, por mais que profundas mudanças tenham ocorrido no cenário dos empregos desde 1850 até hoje e por mais que novas tecnologias estejam sendo criadas dia após dia, muitas delas ameaçando extinguir ramos profissionais, com o passar do tempo a tendência é que a balança se equilibre e os empregos se distribuam novamente nos diferentes setores. Talvez, ainda, novas atividades econômicas sejam criadas e, com elas, novas oportunidades, quem pode dizer?

Julio César Nascimento Bornelli – estudante de Direito na Universidade Estadual de Maringá e estagiário na Lutero Pereira & Bornelli – advogados associados.

Os artigos e opiniões de terceiros publicados no blog Direito Rural são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião desse blog.


[1] Fonte: Visual Capitalist, 26 de fevereiro de 2019, 17:30. Visual Capitalist para acessar a matéria original (em inglês).

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