Da porteira pra dentro, da porteira para fora e do porto pra longe

Lutero Pereira (*) – O agronegócio brasileiro, em termos de importância econômico-social para o País é fato público e notório. No entanto, por mais incrível que possa parecer, nem tão notado assim, pois boa parte da população ignora esta realidade. Aliás, não seria demais dizer que muitos produtores rurais, em sua relação a sua atividade, podem ser achados nesta faixa de ignorantes, parecendo-se com elefante de circo que tem sua pata presa a uma pequena corrente que é capaz de vencer, e que só não tenta sair por desconhecer a própria capacidade de se livrar. É preciso que o agronegócio brasileiro tome consciência do seu potencial, até mesmo para se assentar com mais autoridade à mesa das tratativas negociais no sofisticado mercado internacional, e dali se levantar com resultados cada vez melhores. Afinal, quem não tem consciência do poder que tem, a despeito de tê-lo é fraco.

Quando escrevi o livro AGRICULTURA, UMA QUESTÃO DE ESTADO (www.jurua.com.br), ao tratar da questão da soberania nacional, fiz questão de afirmar que a produção de alimentos outorga ao Estado um grande respeito por seus iguais, pois o País que pode se auto-abastecer e com excedente para abastecer a outros, verdadeiramente é soberano. Afinal, uma Nação faminta é sempre enfraquecida, mesmo que belicamente bem estruturada. Naquela mesma obra citei a frase célebre proferida pelo Secretário da Agricultura Earl L. Buntz, proclamada na longínqua década de 70, e que causou grande espanto no evento em que participava tal autoridade americana: Food is power. A despeito de alimento ser poder, a máxima “da porteira para dentro e da porteira pra fora”, parece não deixar os olhos dos brasileiros se levantarem para permitir enxergar um pouco mais à frente, e ver que o agronegócio brasileiro tem poder para marcar território muito mais distante do que as vezes se imagina. Deste modo, para que o setor possa se estimar à altura de sua importância para o Brasil no âmbito interno e para o Brasil no espaço externo, talvez seja tempo de trocar o binômio “da porteira pra dentro, da porteira pra fora” que tornam os olhos mais baixos permitindo ver somente perto, pelo trinômio “da porteira pra dentro, da porteira pra fora, do porto pra longe”, que fazem os olhos se postarem de forma mais alta para ver ao longe. Com efeito, depois da porteira vem o porto que integra o setor e o País com grandes centros de consumo no mundo todo.

O Brasil do agronegócio precisa conhecer as dimensões do agronegócio do Brasil, sem o que será sempre um País menor.

Como as máximas que se formam sobre determinada coisa ou mesmo sobre certas pessoas influenciam nas relações ou nos relacionamentos que são estabelecidos, não é demais propor que uma nova máxima tome conta de congressos e eventos ligados ao setor, para que o setor se empodere ainda mais.

Não é nem ignorar o que acontece da porteira pra dentro, menos ainda o que se passa da porteira pra fora, mas agregar a ambas as realidades o que acontece do porto pra longe.

Afinal, as visões que temos são responsáveis diretas pelos pensamentos que formulamos e estes pelas ações que tomamos. O agronegócio brasileiro tem ido muito longe para pensar muito perto.

Lutero de Paiva Pereira é advogado especialista em direito do agronegócio em Maringá/PR. Contato: www.pbadv.com.br / pb@pbadv.com.br

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