Como entender a paridade de exportação

Por França Junior: Prezados amigos. Ao contrário de outros produtos mais ligados ao mercado interno, a soja tem como importante característica o fato de ter a sua formação de preços no mercado interno brasileiro estabelecida de fora para dentro, em função de que a maior parte do setor ter a sua comercialização ligada à exportação. Por isso é parte fundamental dentro da comercialização, conhecer e utilizar alguns cálculos que são feitos em cima das cotações na Bolsa de Chicago, chegando-se à conclusão se vale a pena ou não entrar no mercado, seja para compra, seja para venda. Possibilita ao operador analisar e fundamentar sua atuação naquele dia, bem como projetar entradas futuras no mercado.

O mais fundamental desses cálculos é o de paridade de exportação da soja em grão, que possibilita a obtenção dos preços médios para a venda, se a opção fosse mandar produto para o mercado externo. Basicamente realizado por produtores, cooperativas e exportadores. Os passos para o cálculo são os seguintes:

1)Cotação em Chicago para o mês desejado. Para vendas à vista, pega-se sempre o primeiro mês cotado. Valores estão em centavos de dólar por bushel (27,215 kg).

2)Prêmio para o mês desejado. Há um mercado específico para isso, que chamamos de FOB de exportação. Cotações também em US$ cents.

3)Os dois valores são somados e convertidos em US$/tonelada (multiplicar pelo fator 0,367437). O resultado é a receita bruta.

4)Se a opção for cotar o produto em R$/t, teríamos que multiplicar esse valor obtido na conversão, pela taxa cambial do dia.

5)O resultado é a receita bruta em R$/t.

6)Determinação das despesas para se levar o produto até o navio do comprador (FOB).

7)O total das despesas, menos o total da receita bruta, determina a receita líquida.

8)Paridade em R$/60 kg, é obtida multiplicando a receita líquida por 0,06.

Considerando a existência de forte ligação da soja brasileira com o mercado de exportação, desde o início da comercialização no país os preços passavam pela referência externa, vinda do mercado de futuros da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT na sigla em inglês). Essa relação estava ligada ao fato de serem os EUA o principal produtor, consumidor e exportador mundial desde que a soja ganhou importância comercial, por volta de meados do século XX. E esse fato permanece até o presente, com a formação dos preços em todo o planeta passando pela flutuação das cotações na CBOT. Destaca-se o fato de que o contrato de soja na CBOT tem como base de entrega o interior do estado de Illinois, localizado na região do Meio Oeste dos EUA, na barranca do Rio Mississippi ou do Rio Illinois.

Em função disso, sempre é importante lembrar que as flutuações de preços necessariamente obedecem a ótica do mercado físico dos EUA. Isso significa que, se a notícia de âmbito local ou mundial, favorece o mercado físico dos EUA, é fator de alta para a CBOT. Se ao contrário, for prejudicial ao mercado físico dos EUA, é fator de baixa para a CBOT. Considerando que a cotação na CBOT precifica a soja no interior dos EUA, o preço de exportação é formado pelo valor do mais próximo contrato do mercado de futuros em relação ao mês de embarque, somado a um valor específico pago no porto, que tem como objetivo equalizar (precificar) a situação global dos preços (CBOT) com a situação regional do mercado (nos portos). A esse valor chamamos de forma genérica de prêmio de exportação. Então, em cada porto dos EUA ou em qualquer lugar do planeta, o preço FOB de exportação é formado pela cotação da CBOT + Prêmio de exportação.

E para completar a base da formação dos preços da soja no Brasil, precisamos entender o papel da taxa de câmbio. O raciocínio é simples. Considerando que o mercado interno é influenciado em boa parte do tempo pelos preços do mercado de exportação, e que o preço de exportação é dado pela composição das cotações na CBOT e do prêmio de exportação, que são precificados em US$ cents/bushel, para internalizarmos esses referenciais, precisamos aplicar a taxa de câmbio. Exatamente por isso a grande importância que a paridade Real x Dólar tem sobre os preços domésticos, uma vez que uma taxa de câmbio baixa (Real valorizado) implica aos vendedores receberem menos reais pelos mesmos dólares recebidos. E no lado contrário, uma taxa de câmbio (Real desvalorizado) resulta aos vendedores receberem mais reais pelos mesmos dólares recebidos.

Para saber melhor como funcionam essas operações, e as opções existentes no mercado brasileiro, e contribuir fortemente para a formação e melhoria da gestão comercial sua e de sua equipe, a França Junior Consultoria realiza frequentemente o Curso de Introdução ao Mercado de Soja. As próximas edições estão marcadas para os dias 15 e 16 de outubro em São Paulo, 25 e 26 de novembro em Goiânia, e 2 e 3 de dezembro em Porto Alegre. Para maiores informações consulte www.francajunior.com.br. Esse curso de formação profissional já teve a participação de mais de 5.000 mil agentes do nosso agronegócio, em mais de 20 anos de realização.

Um “AgroAbraço” a todos!!!

Flávio Roberto de França Junior

Analista de Mercado, Consultor em Agribusiness e Diretor da França Junior Consultoria

França Jr - logoFonte: França Junior Consultoria

Publicado com permissão do Autor

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