Coisas que os ecologistas não contam – Parte II

Por Renato de Paiva Pereira (*) – No artigo da semana atrasada (clique aqui) comentei 5 coisas que modificaram totalmente a agricultura nos últimos 50/60 anos: uso eficiente de inseticidas/fungicidas, aperfeiçoamento dos herbicidas que passaram a ser seletivos, plantio direto, emprego rotineiro de fertilizantes/corretivos e transgenia. O enfoque do artigo era o benefício dessas descobertas para a saúde da terra, deliberadamente ignorado pelos ambientalistas.

O revigoramento do solo pela constante deposição de matéria orgânica, a reposição sistemática de nutrientes e a melhoria genética dos animais trouxeram um extraordinário aumento da produtividade, que é o assunto central do artigo de hoje.

Nos anos de 1950/60 eram necessários 180 dias para um frango (caipira) ficar pronto para o abate, pesando menos de 2 kg; hoje atingem 2,4 kg com 6 semanas, oferecendo ao mercado proteína barata e saudável.

Também graças a melhoramentos genéticos, vacinas, técnicas de manejo e alimentação apropriada, os suínos que demandavam um ano para chegar a 80 kg, agora pesam 120 kg em 150 dias.

Por conta dos avanços na suinocultura a carne de porco, que antigamente era mais cara, chega aos supermercados com preço muito menor que a bovina. Na média, talvez o lombo de porco custe 1/3 do filé bovino.

Nada aconteceu por acaso. Essa evolução custou muita pesquisa envolvendo empresas e universidades do mundo inteiro, custeadas por bilhões de dólares pagos por multinacionais e universidades.

Não que os agentes dessa transformação tenham gasto tanto dinheiro por amor à humanidade. A intenção do capitalismo é produzir riqueza e o efeito colateral benéfico, neste caso, foi o aumento da produção de alimentos e consequente queda dos preços.

Quando os ambientalistas criticam o agronegócio parece que estão culpando a falta de boas intenções do mundo empresarial, porque definitivamente não há como negar os bons resultados práticos conquistados. Na verdade, os empresários rurais não são filantropos que se dedicam a salvar o mundo. São pessoas iguais a nós, preocupadas muito mais com o resultado que com as intenções. Como disse o falecido senador Roberto Campos: “no socialismo as intenções são melhores que os resultados. No capitalismo os resultados são melhores que as intenções”.

Atingimos a produção de mais de 60 sacos de soja por hectare, contra 20 sacos em 1970; 6.000 kg de milho na safrinha (segundo plantio) tipo de cultura que nem existia há 60 anos e incorporamos o cerrado ao processo produtivo. Tal façanha exigiu pesquisa, investimento e trabalho.

Os que assinam protestos na internet contra os transgênicos, acusam os fazendeiros de devastadores ou pregam boicote à carne bovina são “religiosos” modernos na busca desesperada de uma crença ou bandeira.

Alguns ingênuos acreditam mesmo nessas pieguices, outros querem mesmo é posar de inteligentes no papo com os amigos na hora do chope. Pega bem dizerem-se preocupados com as emissões de CO2, enquanto falam dos detalhes das modernas bicicletas que compraram. Sim, porque ecologista que se preza tem uma bike importada e os inseparáveis paramentos que as acompanham.

Renato de Paiva Pereira – é empresário no estado do Mato Grosso e escritor. Não é produtor rural.
[email protected]

Leia a primeira parte deste artigo. Clique aqui.

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